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A primeira vez que vi o mar do Caribe foi na Colômbia. Cheguei em Cartagena com muitas expectativas, não só pela vontade de aproveitar aquela paisagem, mas também porque há muito tempo aquela cidade fazia parte do meu imaginário.

Depois de anos lendo Gabriel García Marquez era como se Cartagena estivesse me esperando, eu já sabia o que iria encontrar e cada canto que queria conhecer. Mas viajar é abrir mão da previsibilidade e se entregar a conhecer algo novo e se surpreender com o desconhecido, não é mesmo?

Para mim, Cartagena era do Gabo e de ninguém mais. Estava ali o antigo convento que o inspirou a escrever Do amor e outros demônios, assim como estava ali sua casa e sua historia.

Cartagena de Índias

Vale lembrar que quando fui, em 2010, ele ainda estava vivo e se dividia entre a Colômbia e o México. Claro que uma fã como eu não poderia deixar de descobrir onde ficava seu pedacinho de chão em sua amada Cartagena e – que grande o Gabo! – era ao lado do antigo convento, hoje transformado em hotel de luxo. Hola, Gabo está?(Eu visitando a casa do Gabo, em 2010)

Quis o destino que ele estivesse na sua outra cidade-metade naqueles dias e, segundo me confidenciou o garçom do restaurante do hotel, eu o teria alcançado se tivesse chegado poucos dias antes. Uma pena.

Mas Cartagena não perdeu sua mágica por isso, em cada rincón se encontra algo digno de um livro, e não é à toa que Gabo gostava tanto dali.

La ciudad amurallada

E lá ia eu perdida tentando encontrar rastros da sua Literatura ou, quem sabe, um souvenir do mestre. Depois de alguns dias fiquei pensando como ele era quase inexistente para os que moravam na cidade, era como se o ignorassem por completo. E só depois me dei conta da minha ingenuidade: “obvio, né Luciana, é apenas um cara famoso, você não anda pelo Rio e ouve as pessoas só falarem do Chico Buarque”. Percebi que o único souvenir que levaria para casa era uma edição especial de Cien años de soledad que ocupa lugar de honra na minha estante até hoje. La ciudad amurallada

Até que um dia entrei em uma dessas lojas de souvernirs em que nos perdemos quando entramos. Entre tanta buginganga made in China ,vi de longe algo bem nacional: uma camiseta com um rosto familiar estampado.

Corri eufórica pensando que finalmente havia encontrado algo do Gabo, mas quando cheguei bem perto me dei conta de que não se tratava dele na camisa e sim de outro rosto familiar, ainda que não instantaneamente reconhecido. Bastou ler a frase que o acompanhava – El patrón – para me dar conta.

E foi asism que descobri que, naquele lugar onde o Realismo Mágico do Gabo parecia ser  tão real, quem entraria para posteridade não era o Nobel de Literatua, mas sim outro.

La ciudad amurallada

Jornalista, escritora, fotógrafa e viajante (quase) profissional com mais de 20 países no currículo. Ama um avião, mas ainda mais solos diferentes, pessoas diferentes e comidas diferentes.