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Quando se vai à Itália em busca de sua história, não há como não se deparar com seus anfiteatros. Não é por nada que um deles – o Coliseu – não só é a atração turística mais lembrada de Roma como também quase símbolo do país.

Hoje ruínas, essas construções já foram o ponto alto da Engenharia antiga. Se hoje a gente fica impressionado com construções de estádios, fico imaginando como era naquela época construir algo tão grandioso e resitente por séculos. Será que mudamos tanto como sociedade?

Estava eu parada ali no anfiteatro de Pompeia, na verdade deitada na grama tentando me defender do sol com a sombra de algumas das suas ruínas. Era um calor escaldante e eu havia caminhado o dia inteiro, queria dormir ali mesmo. No mesmo lugar em que gladiadores se mataram e o Pink Floyd gravou um concerto. Era, sem dúvidas, um lugar realmente histórico.

Eu não sei o que Gilmour pensou ao pisar aquela grama, não sei o que pensaram os outros turistas. Eu pensei em muitas coisas.

Para começar, aquela grama fofinha não esteve sempre ali. Vale esclarecer que os anfiteatros daquela época tinham piso de areia e por um motivo nada nobre. Como muitos dos expectadores ficavam longe da “ação”, precisavam tornar o espetáculo mais “visual” e então tiveram a brilhante ideia de fazer o piso de areia porque deixava o sangue no corpo do gladiador mais visível.

E o que para muitos de nós parece apenas uma barbárie antiga, para pessoas das camadas mais baixas da sociedade da época, aqueles torneios representavam a única forma de ascenção social. O cara nascia pobre – ou escravo – e não tinha muito a perder, já tinha uma vida bastante sofrida e a violência não era algo distante. Por que não arriscar tudo e alcançar a glória? Como meninos pobres que sonham seus sonhos nas “peneiras” de futebol, eles também tentavam a sorte de um dia saírem de sua condição.

O público também não era diferente do que se vê hoje – à espera de um bom espetáculo, custe o que custar – e nem mesmo seus lugares na arena não mudariam muito nos dias de hoje. Desde aquela época, os mais ricos podiam pagar por lugares privilegiados, mais próximos ao combate, enquanto os outros tinham que se contentar com assentos bem mais longe (ainda bem que tiveram a ideia do truque com a areia).

E, de volta aos meus pensamentos no século XXI, cheguei à conclusão de que a humanidade faz tanto alarde de sua “evolução” e se esquece que os conceitos como barbárie e espetáculo pouco mudaram em dois milênios.

Ruins of Pompeii Ruins of Pompeii Ruins of Pompeii Ruins of Pompeii

Jornalista, escritora, fotógrafa e viajante (quase) profissional com mais de 20 países no currículo. Ama um avião, mas ainda mais solos diferentes, pessoas diferentes e comidas diferentes.