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Tem uma chamada muito interessante que costuma passar no TLC (ou Discovery World, não tenho certeza) com o Anthony Bourdain em que ele comenta sobre a incapacidade de se continuar cínico perante algumas realidades com as quais nos deparamos quando viajamos.

Ele, que saiu de um país desenvolvido para rodar o mundo, deve ter se deparado com muitas realidades não contadas em seu mundo. Deve ter ficado chocado ao perceber que existem pessoas no mundo que passam fome ou que se sujeitam a formas de vida ou de trabalho indgnas. A gente não se lembra com frequência, mas em pleno século XXI, ainda há escravidão no mundo.

Então penso no caminho contrário, de quem se bem não tem contato direto com situações de extrema pobreza ou violência, precisa viver em um país com sérios problemas sociais. Para nós que nascemos e nos criamos no Brasil há absurdos que podem nos parecer normais, como evitar um transporte público por medo de assalto ou não se indignar quando não nos tratam bem em algum serviço.

Mas quando a gente começa a viajar com mais frequência, começa a questionar o que antes era inquestionável, começa a perceber que realmente não da para continuar cínico frente algumas realidades. Resumindo, a gente passa ser aquela pessoa chata que não se conforma com o “normal”.

Há uma semana, li uma reportagem d’O Globo que me deixou indignada, sobre o atendimento dos taxistas cariocas aos passageiros. Quem já dependeu deles aqui no Rio – principalmente em situações em que estava mais vulnerável – sabe que eles podem complicar ainda mais a sua vida.

Lembrando das minhas experiências com taxistas no Rio e no mundo, escrevi um post no Facebook que deu o que falar. Sem mencionar qualquer opinião ou fazer juízo de valor, apenas narrei alguns fatos:

Em Zagreb, na Croácia, chegamos de madrugada, só tínhamos euro e, mesmo o taxista não falando inglês, se virou para nos levar ao nosso destisno, cobrou exatamente o que previa o Google e fez questão de fazer a conversão justa da moeda.
Em St. Johns, no Canadá, o taxista voltou à casa onde nos deixou para nos devolver dinheiro porque tinha nos dado troco errado.
Em Mendoza, na Argentina, esqueci meu gorro em uma vinícola e fui surpreendida quando, mais tarde, o taxista apareceu para me entrega-lo, já que tinha ido busca-lo para mim.
Perdi a conta de quantas vezes um taxista não quis me transportar na Barra porque eu ia para algum lugar da Barra mesmo e nunca me esquecerei do dia em que trabalhei até tarde e o taxista, revoltado porque a corrida era muito curta, me deixou do outro lado da pista da Avenida das Américas, passada a meia noite, porque, segundo ele, não compensaria fazer o retorno lá na frente e perderia um “bom passageiro” que estava esperando.
Apenas alguns fatos.

É interessante perceber como a gente vai deixando o conformismo de lado à medida que conhece “novas realidades” e assim como ter contato com situações piores que as nossas podem nos abrir os olhos de que o mundo precisa de nós, situações melhores podem nos alertar que precisamos arrumar nossa casa e sermos menos conformados.

In love with Croatia

Jornalista, escritora, fotógrafa e viajante (quase) profissional com mais de 20 países no currículo. Ama um avião, mas ainda mais solos diferentes, pessoas diferentes e comidas diferentes.